sábado, 3 de maio de 2008

A Escola na Era Digital


Hoje é consenso que as mídias e as novas tecnologias tomam um espaço cada vez maior na vida das pessoas. Porém, a escola demorou a compreender o impacto dessas mídias na formação da consciência do indivíduo e dos valores da sociedade. Dessa forma, vem perdendo lugar para os meios de comunicação no ordenamento dos valores e significados. O resultado desse processo é que o professor de hoje não consegue mais competir com a TV e com a internet. Além disso, as relações dentro do ambiente escolar sofrem modificações, pois o trabalho com a mídia, por tornar o jovem mais crítico, pode vir acompanhado de um crescente desinteresse pelas disciplinas da “grade curricular” bem como pela maneira como são ensinadas.

O governo, por sua vez, em prol da “inclusão digital”, acredita que para a educação na era digital começar a acontecer basta colocar computadores nas escolas com acesso à internet 24h.

Diante dessa realidade, nós professores precisamos ter clareza do que queremos e onde queremos chegar com o uso das mídias e das novas tecnologias na escola. Acredito que devemos utilizá-las como forma de intervenção social a partir da criação de sistemas comunicativos abertos e democráticos buscando a inserção e participação social e o pleno exercício da cidadania.
A compreensão e a análise crítica dos meios de comunicação são dos aprendizados mais necessários para se poder participar produtivamente da sociedade presente e futura. Como educadores, temos que assumir o papel de mediador entre a mídia e o indivíduo, levando o aluno a estabelecer uma relação crítica com os meios de comunicação. Mas, penso que, apenas nosso discurso enquanto professores não basta para despertar o senso crítico dos alunos, pois ele também, sozinho, torna-se impotente diante da sedução dos meios de comunicação e os alunos acabam não absorvendo a crítica que a escola quer promover visto que o jovem prefere o padrão ditado pela mídia ao da escola.

Nesse contexto, vejo como uma solução possível trazer a mídia para a escola tornando-a uma articuladora do discurso. Mais do que discutir a mídia e interpretar os procedimentos e intenções dos veículos de comunicação, é preciso colocar os alunos no papel de protagonistas, de agentes do discurso para que eles compreendam o potencial que cada indivíduo tem de se expressar e possam experimentar a função social da comunicação. O retorno, para o aluno, será o aprimoramento de sua capacidade de expressão e a tomada de consciência de que é um cidadão com direito a manifestar-se.

Isso significa que um trabalho com a mídia e as novas tecnologias pode ser desenvolvido mesmo com escassez de recursos e não necessita que a escola possua, obrigatoriamente, toda a parafernália tecnológica.

Por onde começar? Temos várias alternativas tanto para o desenvolvimento do trabalho com as tecnologias da informação e da comunicação como para equipar a escola com as novas tecnologias, como:

- Parcerias com ONGs, universidades e empresas;
- Participação e adesão a projetos sociais de inclusão digital;
- Programas de inclusão digital apoiados pelo governo;
- Utilização nos NTEs;

Além disso, mais especificamente dentro da escola podemos propor alguns trabalhos em que nossos alunos poderão atuar como autores a partir de recursos limitados como:

- Trabalho com jornal na sala de aula;
- Parceria com um jornal da cidade ou do bairro ou de uma comunidade ou de uma empresa ou de uma universidade para produzir uma página de conteúdo ou um jornal;
- Jornal mural com uma determinada periodicidade;
- Elaborar oficinas de comunicação para que os alunos convivam com diferentes profissionais como: jornalistas, publicitários, fotógrafos, artistas gráficos, desenvolvedores de páginas, radialistas, etc. Isso fará com que os alunos se percebam envolvidos numa atividade de verdade e não num mero trabalho escolar;
- Projetos internos à escola voltados para formação dos professores para o trabalho com mídias e novas tecnologias;
- Parceria com universidades para execução de oficinas, por exemplo, de vídeo e TV e, como conclusão do trabalho, elaboração de um produto de mídia – para professores e alunos;
- Projeto rádio na escola;

Estas são algumas idéias bem possíveis de realizar e que venho tentando colocar em prática em nossa escola (com muitos resultados positivos), além disso podemos utilizar as inúmeras ferramentas que a internet nos proporciona como blog, flog, webqest, wiki, utilização do orkut como ferramenta educacional, elaboração de projetos conjuntos entre escola diferentes, etc.

Penso que esses são apenas alguns caminhos mas para isso devemos olhar a escola numa nova perspectiva, onde o aluno seja um sujeito que necessita de ajuda (mediação) para construir seu processo de recepção da mídia e que precisa se construir como cidadão, conhecendo e experimentando as diferentes linguagens da mídia para criar, assim, critérios de análise.

Enquanto escrevia este post, lembrei de um vídeo que vi no YouTube e gostaria de compartilhar aqui pois tem tudo a ver com o que tenho postado no blog, além de ser um desenho animado dos Jetsons ... personagem que eu adoroooo!!

Um comentário:

Cris Vibe disse...

Olá Verônica!
Meu nome é Cristina e trabalho em uma escola particular de São Paulo.
Concordo totalmente com o que está escrito em seu blog.
Também sigo esse filosofia de inserção na era digital, tanto que hoje muito do que eu já dizia e propunha para minha escola aderir anos atrás, vem fazendo parte aos poucos da rotina do Ensino Fundamental II.
Continue postando, ideias e propostas para a educação e a internet.
beijos
Cristina Gnecco